sábado, 24 de março de 2012
Espiritualidade do evangelizador
Algumas coisas tornam-se repetitivas, mas que sempre se faz necessário retomá-la para manter viva a chama de nossa vocação ao carisma da Comunidade Reviver. O que vou falar aqui tenho plena certeza que vocês já ouviram várias vezes, mas é preciso repetir até que vire um automatismo em cada um de nós. É como dirigir, de tanto repetir certos comandos, eles se tornam tão automáticos que os repetimos quase sem perceber, como por exemplo: olhar pelo retrovisor, da seta para direita ou esquerda e tantos outros.
O batismo no Espírito Santo é o núcleo da vida cristã e porque não dizer o núcleo de nossa espiritualidade na Comunidade Reviver, pois nosso carisma é cura e libertação pelo poder do Espírito Santo. Não existe vida carismática sem a experiência do batismo no Espírito. Alias essa é a pergunta que Paulo dirige aos discípulos de Éfeso: “recebeste o Espírito Santo quando abraçaste a fé”? Ou seja. É fácil perceber quando um cristão age sem a unção do Espírito Santo.
Evangelizar é inerente ao servo batizado no Espírito é o caminho comum de quem se deixa encher do Espírito. O próprio Jesus afirma isso para nós: “Quando vier o paráclito que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do pai, ele dará testemunho de mim”. (JO 15,26). Foi justamente isso que aconteceu com os discípulos, foi a partir da histórica manhã de pentecostes que romperam com o medo e a tibieza e encheram de coragem e entusiasmo.
Analisando as diversas experiências do Batismo no Espírito Santo que encontramos ao longo dos atos dos apóstolos, uma coisa é comum em todas: desembocam num anúncio vibrante do nome de Jesus. Após o primeiro pentecostes, encontramos logo em seguida esse testemunho: “... ouvimo-los publicar em nossa própria língua as maravilhas de Deus”. (AT 4,11) Mas sem dúvida a palavra mais esclarecedora é a narrativa de atos 4,31: “todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus”.
Isso acontece porque é o Espírito que gera Jesus em nós, ele que configura em nós o ser de Cristo Jesus. Configurar é da forma de; conformar, então é o Espírito de nos conforma a Cristo. Evangelizar é intrínseco a Jesus, ou seja, está tão no íntimo dele que se torna inseparável, não se desliga Jesus de sua missão evangelizadora. Teoricamente o mesmo deveria acontecer com cada um de nós. Mais adiante vou explicar poque eu disse teoricamente. Porque agora vamos ver quatro itens que fazem parte da espiritualidade do evangelizador.
1º Ter Jesus como modelo de evangelizador.
Não podemos falar de evangelização sem voltar nossos olhos para o ícone da evangelização: Jesus de Nazaré. Jesus inaugura um novo estilo de anúncio, ele vivia o que anunciava. Era uma evangelização régia e profética. Jesus não era homem de teoria, ele era prático. Primeiro ele vivia, depois ele explicava com palavras para as pessoas o que ele estava vivendo. Com a mulher pecadora ele não fez discurso sobre pureza e perdão, ele perdoou. A filha de Jairo ele não pregou sobre ressurreição, ele ressuscitou a menina e entregou a sua mãe. Para o filho da viúva ele nem quis saber o motivo da morte, simplesmente olhou para a dor da mãe e lhe deu o filho vivo de novo.
O conteúdo da pregação de Jesus era o Reino de Deus, diante desse Reino tudo se torna relativo só ele é absoluto, por esse motivo Jesus tinha uma palavra poderosa, ao ponto dos ouvintes dizia: “Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; alem disso ele manda e até os espíritos imundos obedecem”! (MC 1,27) A palavra de Jesus Cativava o povo, “jamais alguém falou como esse homem.” (JO 7,46)
2º Ter consciência da missão.
Eu tinha dito que teoricamente tínhamos que ser como Jesus, inseparável de sua missão, porque isso passa por ter consciência da missão. O evangelizador que não tem consciência de sua missão acaba perdendo no percurso. É preciso ter consciência da missão, porque sem ela não se tem estratégia nem objetivo, nos perdemos nos atalhos do mundo e nas preocupações exageradas.
Não há verdadeira consagração se não houver antes consciência da missão. Paulo sofreu muito com evangelizadores descomprometidos com a missão: “Demas me abandonou por amor as coisas do mundo.” (2Tm 4,10) Certamente Paulo contava com Demas para levar avante a obra de evangelização, sem contar que Paulo estava Preso em Roma, e por amor ao mundo Demas deixa a comunidade sem receber o anúncio do evangelho. Por causa do abandono de Demas Paulo teve que remanejar Crescente para a Galacia e Tito para Dalmácia, ficando ele e Lucas com a missão de evangelizar a grande Roma..
3º unção ministerial.
Retomo aqui as sabias palavras do servo de Deus Papa Paulo VI na exortação apostólica evangelização do mundo contemporâneo: “ nunca será possível haver evangelização possível sem a ação do Espírito Santo”, por esse motivo se faz necessário receber dele a unção para o ministério, sem ela vamos chegar certamente ao desânimo e ao fracasso, como é merecedora de créditos e confortantes as palavras de Paulo VI sobre o Espírito Santo, veja o que ele continua dizendo, “Ele é aquele que hoje ainda como nos inícios da igreja, age em cada evangelizador que se deixa conduzir por ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar.”
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
APROXIMAI-VOS DA GRAÇA
“Rabi sabemos que tu és um Mestre vindo de Deus, pois ninguém pode fazer esses milagres que fazes se Deus não estiver com ele.” (JO 3,2)
Está é a frase que Nicodemos usa ao iniciar seu diálogo com Jesus, quando a noite acortinava sobre sua vida. Nicodemos, judeu de sangue, Fariseu por própria opção, notável entre os de sua época, tem a oportunidade de experimentar na prática o que todas as pessoas que se deixavam envolver pela graça de Jesus experimentavam.
Ele foi ter com Jesus a noite e sozinho, ninguém o acompanhava, o que torna mais interessante sua abordagem inicial a Jesus, “Rabi sabemos...” Veja como ele flexiona esse verbo, “Sabemos” como se ele estivesse acompanhado por mais pessoas. Ele estava só, porque então flexiona o verbo? Não há dúvida de que ele estivesse só, mas o conceito de que Jesus era um Mestre vindo de Deus não era só dele, era de todos os fariseus, todos admitiam a verdade, mas tem todos acolhiam a verdade para de deixarem salvar por ela.
Jesus é a verdade, ele é o Mestre que vem de Deus, nele habita a plenitude da divindade, nele a redenção é copiosa, como afirmava veementemente o papa João Paulo II. Para que se experimente todo potencial salvífico é necessário aproximar-se dele e nascer de novo como ele propõe a Nicodemos
Para nascer de novo Três coisas são fundamentais, baseando no que descreve o apóstolo João: “Todos que o receberam e crêem em seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.” (JO 1,12) Segundo o texto é necessário receber e crer em Jesus. Eu acrescento não ao texto bíblico, mas a reflexão, que é preciso receber e acolher Jesus. É verdade que acolher e receber são sinônimos, mas um sinônimo imperfeito; pois se pode receber uma pessoa e não acolher. Uma visita indesejada que chega a minha casa, eu posso receber e não acolher. Recebendo e acolhendo Jesus no coração, recebemos dele o poder que nós faz filhos de Deus.
Esse poder dado por Jesus não é apenas uma força atuante, mas uma pessoa Divina. Na carta de Paulo as Gálatas ele escreve da seguinte forma: “A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu filho Jesus Cristo” Paulo deixa claro que o poder que recebemos e que nos faz filhos é o Espírito de Jesus Cristo. Veja bem ele escreve Espírito com letra maiúsculo para dizer que se trata de uma pessoa, e aqui para nós pessoa revestida da dignidade divina: o Espírito Santo. Espírito de Jesus, porque esse foi o Espírito de filiação que ele recebeu no ato de seu batismo no rio Jordão. “Tu és o meu filho bem-amado em ti ponho toda minha afeição.” (Lc 3,22)
Está é a hora de cada um de nós aproximarmos do Senhor Jesus, acolhe-lo em nosso coração, crendo que ele é o Senhor e dele Recebermos o Espírito Santo que nos faz filhos de Deus, cidadãos do céu e herdeiro da graça divina.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Quinto domingo do tempo comum
Leituras:
Jó 7,1-4.6-7
1Cor 9,16-19.22-23
MC 1,29-39
Quero começar a reflexão desse quinto domingo com uma frase que Marcos coloca na boca dos apóstolos, liderados por Simão Pedro. “Todos estão de Procurando”. O povo sedento de paz, saúde e alegria, estavam à procura de Jesus. De Jesus que havia libertado o homem possesso na sinagoga, que havia curado a sogra de Pedro e que a muito curou de diversas enfermidades e libertou da opressão do demônio.
Hoje não é diferente, temos uma multidão de homens e mulheres a procura do divino, talvez nunca na história humana o homem fosse tão ávido em procurar experiências sobrenaturais, talvez nunca tenha sentido necessidade de um encontro com o sagrado como hoje nós observamos. A sociedade capitalista que com seu apelo ao consumismo, tenta preencher o vazio do coração humano, vai lançando mais ainda o homem nesse vale de isolamento e solidão. A leitura do trecho do livro de Jó e o retrato fiel do vazio da existência movido por valores efêmero. Tudo se torna uma rotina angustiante. A cada dia surge uma nova filosofia propondo responder as inquietações humanas, homens e mulheres que se autodenominam profetas e profetisas, prometem com uma palavra mágica solucionar esse drama vivido pelo homem.
Irmãos e irmãs, como Igreja nós temos uma dívida como o homem moderno. Homem esse simbolizado pela sogra de Pedro, que estava acamada, febril, mas logo alguém levou a necessidade dela para Jesus. Ao mesmo tempo em que temos o compromisso de levar a necessidade do homem a Jesus, nós somos a mão de Jesus estendida a esse para reerguê-lo.
Vejam bem, todos estavam à procura de Jesus, mas só Pedro e os demais apóstolos sabiam onde ele estava. Só Pedro tinha a resposta certa para o que a multidão procurava. Pedro é o símbolo da Igreja de Cristo, portanto só a Igreja tem a resposta concreta, eficaz e eficiente para responder os anseios do coração humano. A igreja recebeu de Jesus a missão de evangelizar, ela é a fiel depositária da Palavra de redenção, Palavra que ela deve fazer chegar aos ouvidos e, sobretudo ao coração do homem. O que me emociona muito nessa frase de Pedro, “todos estão de procurando” é que Pedro não vai ao encontro de Jesus para si, ele sai o encontro de Jesus em favor dos outros. É para que todos pudessem ter um encontro pessoal com Jesus que Pedro vai ao encontro do mestre e interrompe sua oração.
É preciso que cresça em nós batizados a consciência de nossa missão, consciência essa que Paulo faz questão de tornar evidente na carta aos coríntios. “pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição” veja, ele fala que evangelizar é uma necessidade e imposição. Eu tenho por necessidade aquilo que é fundamental para minha existência. Para o apóstolo dos gentios, negligenciar o anúncio do Evangelho era como se ele assinasse sua própria sentença de morte, era deixar morrer aquela experiência bonita e marcante do caminho do Damasco. A imposição que ele fala é exercida pela força do amor. Paulo sentia-se tão amado por Deus, que a força desse amor o impulsionava para a missão, mesmo ele sabendo dos contra tempos e das perseguições que o esperavam em cada localidade. Em outro trecho da carta aos coríntios ele vai dizer: “O amor de Deus nos constrange” (2Cor 5,14) Paulo, livre da imposição da Lei, agora sente acorrentado por esse amor, acorrentado por aquele que o amou e se entregou por ele. Por esse motivo, pregar o Evangelho tornou-se a vida dele. “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho.
Diante da liturgia da palavra, desse quinto domingo comum, nos resta tão somente responder ao que a Igreja espera de nós, parafraseando com o próprio Jesus: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois para isso é que eu vim”.
Essa é a hora de apresentar a multidão a Jesus, façamos isso então!
05/02/2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Quarto domingo do tempo comum
Primeira leitura: Deuteronômio 18,1-20
Segunda Leitura: 1Cor 7,32-35
Evangelho: MC 1.21-28
Depois de ouvir o ensino de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, o sentimento de admiração era unânime, no coração daqueles que se encontravam presentes. Jesus ensinava como quem tinha autoridade, diferente dos mestres da Lei. Os doutores da Lei impunham autoridade e Jesus tinha autoridade, essa era a diferença que dava credibilidade ao que Jesus ensinava.
O povo de Israel em geral, acreditava em Moises, porque ele tinha autoridade, autoridade concedida pelo próprio povo. Moises havia convocado todo povo para ouvir Deus falar na montanha do Horeb, mas eles com medo de Deus deram a Moises uma procuração para ouvir Deus em nome deles e depois os transmitir a palavra da Lei.
Nessa leitura do livro Deuteronômio 18, 15, Moises afirma para o povo que o Próprio Deus fará surgir um Profeta, a esse o povo deverá ouvir, pois esse vem com autoridade divina. Esse no profeta será mediador de uma nova aliança, pois em sua humanidade, Ele tem a plenitude da divindade.
Encontramos no episodio da sinagoga de Cafarnaum, dois sinais claros que identificam a instauração definitiva do Reinado absoluto de Deus no meio de seu povo. Quando João Batista, por meio de dois dos seus discípulos pergunta a Jesus se ele é o Messias que devia vir ao mundo, ou se deveriam esperar outro, entre outros sinais dados por Jesus, ele disse esse: “… e a pobres se anuncia o Evangelho”. (LC 7,22) Quando Jesus afirma que a pobres se anuncia o Evangelho, Ele fala de uma exclusividade preferencial e não excludente. Todas as classes sociais têm direito a ouvir o anúncio da Palavra de Redenção. A diferença é de pessoas que dela se acham necessitadas e tem pessoas que acham que dela não tem necessidade.
Temos o pão como símbolo do alimento mais barato, todas as pessoas por mais pobres que sejam tem acesso a esse alimento, mas o pão não é exclusividade do pobre, o rico pode comprá-lo na mesma padaria. Assim é o Evangelho, ele é o pão da graça de Deus, todos os que dele necessita tem livre acesso.
O outro sinal é a libertação do homem possuído pelo espírito do mau. Em outra passagem do Evangelho, Jesus vai dizer: “Mas se é pelo dedo de Deus que expulso os demônios, é porque o Reino de Deus já chegou até vós”. (LC 11,20) Portanto, estamos diante de dois sinais que tira de nós o véu e nos faz ver com clareza o Reino de Deus presente em nosso meio, cabe a cada um aderir-se ale ele, passando pelas portas da fé e da conversão.
O espírito imundo que possuía aquele homem sabia que Jesus era o santo de Deus, entretanto foi expulso, pois o orgulho lhe impede de crer para a conversão.
Paulo na carta aos coríntios, muito mais afirmar de que se deve ou não deve casar, ele nos ensina que no estado de vida que fomos chamados para entrar no Reino, nós devemos nos comprometer com ele, com responsabilidade e dedicação.
29/01/2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
CONVERSÃO DE SÃO PAULO
Primeira leitura, Atos 22, 3-16 - -
Evangelho MC 16,15-18
vinte de cinco de Janeiro, a Igreja celebra a festa da conversão de são Paulo. Junto com João Batista, no calendário litúrgico, sãos os únicos que tem duas datas celebrativas no ano. Paulo é o único santo que a igreja celebra a conversão. Normalmente celebra-se nascimento, ou martírio.
O livro dos Atos dos Apóstolos nos contempla com três narrativas da conversão de Paulo. A primeira em At 9,1-20, narrada por Lucas, a segunda, em At 22,1-21, contatada por Paulo aos Judeus e a terceira, também contada por Paulo ao rei Agripa, em sua autodefesa, At 26, 1-23.
Nesse ensino, nós nos basearemos na narrativa de Atos dos Apóstolos 22, mas recorreremos nas outras duas narrativas, para jogar mais luz ainda nessa maravilhosa e valiosa experiência de conversão para a vida da Igreja e de seus Filhos.
Analisaremos versículo por versículo a partir do capítulo 22, 6 e permitiremos que o Espírito Santo nos conduza pelo caminho da conversão de Paulo, ao Coração Misericordioso do nosso Deus e Pai
“Ora aconteceu na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio dia, de repente uma grande luz vinda do céu, brilhou ao redor de mim” (V 6)
A experiência de Deus acontece quando nós nos colocamos a caminho, quando começamos a questionar nossa verdade que até então era verdade absoluta. Até o testemunho de Estevão, Paulo tinha a Lei e a doutrina Farisaica como verdade absoluta e inquestionável. Entretanto a partir da pregação e do testemunho de Estevão, que viu o céu aberto, a glória de Deus e Jesus de pé a direita de Deus, a verdade de Paulo sofre um abalo cismo que compromete suas estruturas.
Paulo então começa a viagem para Damasco, se põe a caminho querendo salvar sua verdade da ruína total, queria ele por meio da perseguição abalar a Verdade que os Apóstolos acreditavam. A pior perseguição não é essa que leva ao derramamento de sangue os membros da igreja, a pior é a indiferença religiosa, pois essa não produz fruto. Paulo não se acomoda com o que ele acreditava, corre em busca da Verdade Suprema até ser encontrado por Ela.
Ele conta: “por volta de meio dia, de repente, uma grande luz vida do céu brilhou ao redor de mim”. Era meio dia, horário em que a pouco vestígio de sombra sobre a terra, ou seja, Paulo afirma que viu com clareza o acontecimento, não foi um devaneio, um delírio de que estava a procura de experiência sobrenatural. Recorrendo a Atos 26,13, vamos entender a profundidade desse momento. “Ó rei, estava eu a caminho, quando pelo meio dia, vi uma luz vinda do céu, mais brilhante que o sol”. Paulo não era um homem que vivia nas escuras da fé, ele tinha luz, a luz que vinha da escola de Gamaliel, vinha da terra, o conhecimento da Lei. Agora ele é envolvido por uma luz vinda do céu, luz que ofusca completamente a luz que ele trazia em si. A luz do conhecimento de Cristo Jesus, não é uma iniciativa humana, mas do próprio Deus. Essa luz vinda do céu derruba nosso conceito mesquinho que temos de Deus.
“Cai por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saul, Saul, porque me persegues”? Só caído por terra é que somos capazes de ouvir a voz de Deus. Na luta grego romana, na época de Paulo, o oponente só ouvia a voz de seu adversário, quando esse o derrubava por nocaute, quando a voz de que o derrubara chegava-lhe ao ouvido, era sinal de sua derrota. Quando a doce voz de Jesus ressoa no coração e nos ouvidos de Paulo, ele reconhece que tinha sido nocauteado por aquele que ele dentava derrubar, ou como ele mesmo afirma: “eu fui alcançado por Cristo”. Foi alcançado por quem ele perseguia.
Vejamos agora a importância do versículo 9: “Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que falava”. Aparentemente os companheiros de Paulo fizeram a mesma experiência dele, ambos foram envolvidos pela intensa luz vinda do céu, entretanto nada sabemos do apostolado dos companheiros de Paulo, nem se quer sabemos se após serem envolvidos pela luz converteram verdadeiramente. Digo isso, porque a experiência deles, não foi plena como a do filho da tribo de Beijamim. Eles viram a luz, mas não ouviram a voz de Jesus, não fizeram experiência da Palavra de Deus em suas vidas. Toda experiência mística, por mais intensa que seja, ela só perdura e dá fruto para a Igreja, se a pessoa agraciada escutar a voz, aceitar ter a vida conduzida pela Palavra de Deus. Vejamos bem, na queda ao ser envolvido pela luz, Paulo escuta a Palavra de Jesus e logo acredita em seu Senhorio: “Quem és tu Senhor”? Pela regra da luta grego-romana, Paulo sabia que tinha sido derrotado, portanto agora ele era escravo de seu adversário, por isso ao ouvir a voz crer no Senhorio e agora que o conhecer mais profundamente. A segunda pergunta de Paulo é muito esclarecedora: “Que devo fazer Senhor”? A partir dessa pergunta, ele passa a ser guiado pela Palavra de Deus. “Levanta-te e vai para Damasco. Ali de explicarão tudo o que deves fazer”. (V 10)
“Como não podia enxergar, por causa do brilho daquela luz, cheguei a damasco guiado pelas mãos dos meus companheiros”. Apesar da experiência de Paulo ser superior a de seus companheiros, Paulo não é auto-suficiente, ele entende que para ser conduzido a Damasco, para que a experiência de fé fosse aprofundada ele precisava das ajuda de seus companheiros. Os companheiros de Paulo fora a primeira comunidade que acolheu e o conduziu rumo ao crescimento espiritual. A pessoa que faz uma experiência de fé em Jesus e exclui a ajuda da comunidade no seu crescimento na fé ele acaba se perdendo e não dando o fruto esperado.
Vejam bem, Paulo não enxergava, portanto tinha tido uma experiência maravilhosa e conhecia a vontade de Deus, mas não sabia o caminho para Damasco, pois estava sem enxergar. Caso ele fosse orgulho e não aceitasse a ajuda dos companheiros, ele iria se perder nos atalhos do caminho e nunca chegaria a Damasco.
Quem caminha de mãos dadas com a Comunidade Cristã, com a Igreja, tem a certeza de chegar a plenitude do Espírito Santo pela vida sacramental e a bom êxito no seu apostolado.
A verdadeira experiência de Deus acontece quando:
Coloco-me a caminho.
Sou encontrado por Cristo Jesus.
Caio por terra.
Escuto a voz de Deus.
Sou orientado por sua Palavra
Sou conduzido pelas mãos da comunidade Igreja.
Deixemo-nos encher o Espírito Santo nesse dia!
25/01/2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Primeira leitura: 1Sm 3, 3b-10.19.
Segunda leitura: 1Cor 6,13c-15ª.17-20
Evangelho: JO, 35-42
Somos chamados hoje a conhecer Jesus, digo isto, porque muitas vezes o que temos do Senhor Jesus são algumas informações. O conhecimento é mais que ter informações, é travar um relacionamento de intimidade, um relacionamento que gera em nós a vida divina.
Vejamos bem, o menino Samuel, morava na casa do sacerdote Eli desde os seus quarenta dias de vida, dormia no mesmo aposento em que a Arca da Aliança repousava, ali ele cresceu e deu seus primeiros passos, certamente via o sacerdote Eli ministrar a liturgia e outros ritos sagrados. Entretanto quando o Senhor Deus se manifestou a ele, o mesmo não soube diferenciar a Palavra de Deus, da voz de Eli. Olha a diferença é muito grande, porque Deus tem Palavra enquanto Eli tem a voz. A voz sem a Palavra é vazia, incompreensível.
Muitas vezes, nós agimos como o menino Samuel; corremos atrás da voz e não percebemos que ela é estéril, não gera em nós a vida divina, não nos transforma em templos de Deus como nos ensina o apostolo Paulo na segunda leitura.
Aliás, esse texto de Paulo aos coríntios vem falar bem da realidade que vivemos hoje, onde o mundo prega um amor dissociado da vida. Um amor egoísta, que não se derrama no outro, mas em si mesmo. O que o mundo chama de amor, Paulo classifica como imoralidade, fornicação, pois o homem não se enxerga como imagem de Deus, templo do Espírito Santo.
Quanta confusão é gerada, quando o homem se recusa a conhecer Deus. O escritor sagrado registra o motivo de tamanha confusão, “Samuel ainda não conhecia o Senhor”. A Palavra de Deus ainda não tinha sido revelada a ele, apesar de morar em um território sagrado.
Entendemos então, que o conhecimento de Deus se dá quando Ele nos revela sua Palavra, no entanto para que isso aconteça e necessário nós nos dispormos a escutar. Vale também para nós o conselho do velho Sacerdote Eli: “Vai deitar, quando alguém te chamar de novo você responde: fala Senhor que o teu servo escuta”.
Quando o Batista aponta para Jesus e diz: “Eis o Cordeiro de Deus” Dois discípulos, André e João se puseram a seguir. Vejam, seguia Jesus pelo que João conhecia. Muitas vezes vivenciamos fatos desse nos dias de hoje. Quantas pessoas entram na fila da Eucaristia, por vê todo mundo indo, quantas pessoas buscam os sacramentos do batismo e até do matrimonio por causa do cerimonial e não por aquilo que o sacramento é.
Quando Jesus os vê no seu seguimento, não os proíbe de seguir, nem os repreende pelo fato de não o conhecer pessoalmente. Jesus entende o seguimento dos dois como um desejo de conhecê-lo, entretanto não deixa de questionar os dois, um questionamento que exige resposta. “O que estais procurando”? Essa mesma pergunta ressoa para cada um de nós, de maneira pessoal. O que estamos procurando no seguimento de Jesus? Alguém que resolva nossos problemas financeiros? Um curador que nos tire da fila do SUS e nos livre dos altos preços dos planos de saúde? Ou nosso interesse e saber onde Jesus mora, entrar em sua casa é fazer experiência do seu amor? Travar com Ele uma relação de intimidade, que gera em nosso coração o fruto da salvação?
Tomara que nossa motivação para caminha no seguimento de Jesus, seja a mesma de André e João: Entrar na Tenda do Senhor Jesus!
A primeira leitura nos afirma que o menino Samuel crescia, Ele começou a crescer, a partir do momento que conheceu o Senhor. Que o conhecimento do Senhor Jesus nos eleve a altura de quem somos de fato: filhos de Deus!
15/01/2012
PORQUE DO MEDO
”Por que esse medo gente de pouca fé?” (MT 8,26) perguntava Jesus aos discípulos assustados com a violência da tempestade que assolava o barco em que estavam.
Apenas o medo que está no seu interior é que te faz acreditar que a tempestade é real.
Fora deste campo imaginário está a luz, a bênção e o amor de Deus, que a tudo criou para ti.
Creia no Senhor, e vê, quão sábio e preciso Ele se mostra a você, quão doce e amoroso ele é..
Não comungue com a tua escuridão,
com nenhuma forma de pensar que tenha por objetivo te ferir, te deixar confuso
e perdido nesta Terra.
Ao contrário, entrega estes momentos ao Senhor Jesus, É Ele que deixa seu ser mergulhado na luz.
Respira calma e mansamente e permite estar na companhia serena Daquele que te cuida com o olhar amoroso e atento.
Nele tudo você pode.
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